top of page

CULTURA
NA eSTRADA

Purmamarca
Argentina

Entre cores e ancestralidade

Purmamarca, na Argentina, é uma daquelas pequenas cidades que parecem ter saído de um cartão-postal. Seu nome, de origem quíchua, significa “Cidade da Terra Virgem”, e a paisagem ao redor ajuda a entender por que o lugar é tão especial. No passado, Purmamarca fazia parte do antigo Caminho Inka, uma importante rota de circulação pelos Andes. Hoje, a região integra o sistema viário andino reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial.

A localização de Purmamarca sempre teve um papel importante na história da região. Situada no Noroeste Argentino, a cidade está em uma área que, há séculos, funciona como ponto de encontro entre diferentes povos, culturas e territórios. Por essas rotas circularam pessoas, mercadorias, costumes, crenças e conhecimentos, conectando comunidades da Puna, do norte da Argentina e também do atual Chile. Essa mistura cultural ainda pode ser percebida na arquitetura, no artesanato, na culinária e no jeito de viver das comunidades locais.

Para quem viaja pela região, Purmamarca também pode ser uma excelente parada no caminho entre a Argentina e o Chile. Pela Ruta 52, é possível seguir em direção a San Pedro de Atacama, atravessando uma das paisagens mais impressionantes dos Andes. O trajeto passa pelas Salinas Grandes, pela região da Puna e segue até o Paso de Jama, na fronteira com o Chile, chegando a áreas que ultrapassam os 3.000 metros de altitude.

É uma viagem em que o próprio caminho faz parte da experiência. As montanhas coloridas, o céu imenso, a vegetação escassa e as mudanças de altitude transformam o percurso em uma verdadeira aventura andina. Se você estiver planejando esse trajeto, vale reservar tempo para apreciar a paisagem e fazer algumas paradas — afinal, em Purmamarca e nos Andes, muitas vezes o que acontece entre um destino e outro é tão marcante quanto o próprio destino.

Caminhos que contam histórias

O Valle Calchaquí, no noroeste da Argentina, guarda uma história muito mais antiga do que as paisagens impressionantes que hoje atraem viajantes. A região foi palco da presença e expansão de diferentes culturas andinas e, posteriormente, passou a fazer parte do vasto território do Império Inka.

Entre os séculos VII e IX, o vale recebeu influências da Cultura Tiahuanaco, uma das importantes civilizações pré-colombianas dos Andes. Séculos depois, durante a expansão inka, o décimo Inka, Tupa Inka Yupanki, foi responsável pela anexação do Noroeste Argentino ao Tawantinsuyu, nome em quíchua que significa “as quatro partes juntas”. O império tinha Cuzco como seu centro político e administrativo, e o território incorporado ao sul ficou conhecido como Kollasuyu.

Foi nesse período que a Qapaq Ñan, a grande rede de caminhos do Império Inka, ganhou ainda mais importância. As estradas permitiam a circulação de pessoas, informações, produtos e recursos por enormes distâncias, conectando diferentes povos e territórios dos Andes. Muitas dessas antigas rotas ajudam hoje a contar a história das sociedades que viveram nessa região muito antes da chegada dos espanhóis.

O período também foi marcado por um significativo crescimento da população e pelo surgimento de sociedades cada vez mais organizadas. Algumas comunidades ocupavam os chamados Pukara, assentamentos construídos em pontos elevados, como cerros e áreas de difícil acesso. A localização estratégica permitia maior visibilidade do território e funcionava como uma forma de defesa e controle.

Ao viajar pelo Valle Calchaquí, é interessante olhar para a paisagem além das montanhas, vinícolas e pequenas cidades. Muitos desses lugares foram ocupados por povos que desenvolveram formas próprias de organização, comércio, agricultura e relação com o território. Conhecer essa história torna a viagem ainda mais interessante e ajuda a perceber que estamos caminhando por uma região que foi, durante séculos, um importante ponto de encontro entre diferentes culturas andinas.

Fonte: Museu de Antropologia de Salta.

bottom of page