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CULTURA
NA eSTRADA

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Paracas
Peru

Entre o Deserto e o Mar

A cultura Paracas, que floresceu aproximadamente entre 850 a.C. e 200 d.C., foi uma das importantes culturas pré-incaicas do Peru. Seus povos habitavam uma extensa faixa do litoral centro-sul do país, entre o vale de Cañete e a bacia do Rio Grande de Nazca.

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Os Paracas ficaram especialmente conhecidos pela qualidade e riqueza de seus tecidos, considerados verdadeiras obras de arte, além dos conhecimentos desenvolvidos em técnicas de irrigação, fundamentais para a sobrevivência em uma região tão árida.

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Algumas das descobertas arqueológicas mais importantes dessa cultura foram encontradas no Cerro Colorado, próximo à entrada da atual Reserva Nacional de Paracas. Ali está a famosa necrópole de Wari Kayan, que infelizmente não pudemos conhecer durante nossa viagem, quem sabe, esse pode ser um motivo para voltar ao Peru em outra oportunidade.

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Mesmo sem ter visitado o local, saber um pouco da sua história torna ainda mais interessante conhecer a região de Paracas e imaginar o que essas descobertas revelam sobre uma civilização que viveu ali há tantos séculos.

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Na necrópole de Wari Kayan foram encontrados numerosos sepultamentos e objetos que ajudaram os pesquisadores a conhecer melhor os costumes e a organização dessa antiga sociedade.

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O próprio nome Paracas já nos dá uma pista sobre as características desse lugar. De acordo com a interpretação tradicional, a palavra vem do quíchua e está relacionada à expressão “chuva de areia” — para, chuva, e aco, areia.

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É um nome que combina perfeitamente com a paisagem que encontramos por ali: um encontro impressionante entre o deserto, o vento, a areia e o oceano, onde a natureza e a história se encontram.

Como chegar

Paracas fica a aproximadamente 3 horas e meia de viagem de Lima, dependendo das condições da estrada e do transporte escolhido.

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Para quem busca uma opção mais econômica, uma alternativa é viajar de ônibus, e a empresa Cruz del Sur faz esse trajeto em diversos horários ao longo do dia.

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Outra possibilidade é contratar uma agência de turismo e fazer um bate-volta Lima → Paracas → Lima. É uma opção interessante para quem tem pouco tempo disponível, pois facilita bastante a organização dos passeios.

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Mas, se você tiver mais de um dia para essa região, minha recomendação é não ficar somente em Paracas. Vale a pena incluir também Huacachina e Nasca no roteiro. Foi justamente pensando nessa possibilidade que achei interessante a proposta da Peru Hop, que oferece roteiros por diferentes destinos do Peru, incluindo Paracas, Huacachina, Nasca, Arequipa e Cusco.

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Uma das vantagens é a flexibilidade de poder permanecer mais tempo em determinados lugares, em vez de fazer tudo correndo. Dependendo do pacote escolhido, alguns passeios também já estão incluídos.

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Em Paracas, há dois passeios que considero imperdíveis: o passeio até as Ilhas Ballestas e a visita à Reserva Nacional de Paracas. São experiências completamente diferentes, mas que ajudam a conhecer a diversidade natural e as paisagens impressionantes dessa região do Peru.

Uma dica que considero importante para quem vai a Paracas: evite deixar para fazer o câmbio de dinheiro por lá. Durante a nossa experiência, encontramos taxas de câmbio menos vantajosas do que em outros lugares do Peru.

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Também vale ficar atento aos gastos com alimentação. Por ser um destino bastante turístico, os restaurantes de Paracas costumam ter preços mais elevados quando comparados a outras cidades e regiões do Peru.

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Por isso, se possível, vale a pena organizar o câmbio antes de chegar e pesquisar os preços dos restaurantes. Assim, você consegue aproveitar melhor a viagem sem ser pego de surpresa pelos valores.

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Candelabro

Geoglifo de 117m de altura por 67m de largura, se encontra no Cerro Talpo. A origem e finalidade dele é desconhecida.

Os impressionantes tecidos da cultura Paracas

Uma das coisas que mais impressionam na cultura Paracas é o contraste entre a riqueza e a delicadeza de seus trabalhos têxteis e a paisagem árida do deserto onde eles foram encontrados.

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Os tecidos e bordados Paracas apresentam um nível de detalhe extraordinário. Pequenas figuras, muitas delas com aparência quase tridimensional, foram cuidadosamente trabalhadas, revelando a habilidade e o conhecimento técnico desses antigos artesãos.

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Grande parte dos tecidos Paracas que conhecemos atualmente foi encontrada junto aos fardos funerários.

 

Os corpos dos mortos eram cuidadosamente envolvidos por diversos mantos, ricamente decorados com figuras e símbolos que, além de sua beleza, carregavam significados religiosos e culturais.

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O culto aos mortos tinha uma importância muito grande nas sociedades do antigo Peru. Os objetos e tecidos que acompanhavam os falecidos parecem ter desempenhado um papel importante nessa passagem para a outra vida.
 

Ao conhecer essas peças, fica difícil não imaginar o trabalho, a paciência e a habilidade necessários para produzir cada detalhe. São testemunhos de uma cultura que conseguiu transformar fios e tecidos em verdadeiras obras de arte, preservadas por séculos graças, em parte, às condições extremamente secas do deserto.

Fontes: Museo AMANO e Museo Larco, Lima, Peru.

Reserva Nacional de Paracas

Paracas é daqueles destinos que surpreendem pela diversidade. Em meio ao deserto, o oceano, as praias, as ilhas e uma rica vida marinha se encontram em uma paisagem única. Na Reserva Nacional de Paracas, vale explorar alguns de seus cenários mais marcantes e observar de perto a enorme diversidade de aves e outras espécies que vivem por ali.

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Um dos passeios imperdíveis é conhecer as Ilhas Ballestas, onde leões-marinhos, pinguins e inúmeras aves fazem parte da paisagem.

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E há ainda um lugar especialmente curioso: a Playa Roja, que impressiona pelo contraste entre o vermelho intenso da areia, o azul do Pacífico e o dourado do deserto. É considerada a única praia de areia vermelha da América do Sul e uma das poucas desse tipo no mundo — um daqueles lugares que rendem fotos incríveis e uma experiência difícil de esquecer.

 

Além da beleza natural, Paracas também guarda um capítulo importante da história peruana: foi ali que José de San Martín desembarcou em 1820, antes de liderar parte do processo de independência do Peru.

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É um passeio que combina natureza, história e paisagens que ficam na memória — uma ótima parada para quem quer conhecer um lado diferente do Peru.

Islas Ballestas

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