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CULTURA
NA eSTRADA

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Linhas de Nasca
Peru

Nasca: uma cultura marcada pela arte e pelos mistérios do deserto

O vale do Rio Nasca foi uma das regiões onde floresceu a cultura Nasca ou Nazca, que se desenvolveu aproximadamente entre 100 a.C. e 800 d.C.. Essa cultura recebeu forte influência da cultura Paracas, conhecida principalmente pela riqueza e pela beleza de sua produção têxtil, que já mencionamos nos textos sobre Paracas.

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Os Nasca desenvolveram uma cultura rica e sofisticada, deixando como legado diferentes formas de cerâmica, tecidos e outras manifestações artísticas, além de conhecimentos que revelam a capacidade técnica dessas populações que viveram no deserto peruano há tantos séculos.

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Mas foi por meio dos geoglifos, as famosas Linhas de Nasca, que essa cultura se tornou conhecida mundialmente. São enormes desenhos e figuras traçados sobre o solo do deserto, representando animais, plantas, formas geométricas e outros símbolos. Produzidos ao longo de diferentes períodos, esses desenhos impressionam não apenas pelo tamanho, mas também pela precisão e pelo mistério que ainda envolve sua finalidade.

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Ao sobrevoar as Linhas de Nasca, é difícil não se perguntar como essas figuras foram planejadas e executadas por uma sociedade que não contava com os recursos tecnológicos que temos hoje. Talvez seja justamente essa combinação entre engenhosidade, arte e mistério que faça desse lugar uma das experiências mais marcantes de uma viagem pelo Peru.​

Fontes: Museo Antonini, Nasca/Peru; Museo de Arte Precolombino, Cusco/Peru.​​​

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Como chegar

No meu roteiro, cheguei a Nasca partindo de Lima, em uma viagem de aproximadamente 3 horas e meia de ônibus. Para quem procura uma opção econômica e confortável, a Cruz del Sur faz esse trajeto com vários horários ao longo do dia. É uma alternativa prática para quem está viajando pelo Peru e quer incluir Nasca no roteiro.

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Outra possibilidade é contratar os serviços de uma agência de turismo, que foi a opção que escolhi. Recomendo a Peru Hop, especialmente para quem deseja conhecer mais de um destino ao longo do caminho. A empresa oferece roteiros que passam por Paracas e Huacachina antes de chegar a Nasca, com a flexibilidade de permanecer mais de um dia em cada lugar e aproveitar a viagem com mais calma. Para mim, foi uma ótima maneira de conhecer diferentes destinos sem precisar organizar separadamente cada trecho do percurso.

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Essa opção também é interessante porque alguns pacotes já incluem passeios que considero imperdíveis, como o sobrevoo das Linhas de Nasca e a visita aos aquedutos de Cantalloc. Dessa forma, o deslocamento entre os destinos deixa de ser apenas um meio para chegar a Nasca e passa a fazer parte da própria experiência da viagem. Além da praticidade, é uma maneira de conhecer diferentes lugares pelo caminho e aproveitar melhor cada etapa do roteiro.

Os desenhos que atravessam o tempo

As Linhas de Nasca estão entre os maiores mistérios arqueológicos do Peru e são, sem dúvida, uma das experiências mais marcantes para quem visita a região. Algumas das figuras podem ser observadas do mirante localizado às margens da estrada, mas a melhor maneira de compreender sua dimensão e enxergar os desenhos em sua totalidade é fazer o sobrevoo da região em um pequeno bimotor, uma das principais atrações turísticas de Nasca.

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As figuras são formadas, em sua maioria, por linhas contínuas traçadas no solo do deserto. Algumas impressionam pelo tamanho, chegando a aproximadamente 370 metros de comprimento. A combinação de um clima extremamente seco, pouca chuva e ausência de ventos fortes contribuiu para que esses desenhos permanecessem preservados por tantos séculos.

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Em 1994, as Linhas de Nasca foram declaradas Patrimônio Mundial pela UNESCO. Desde então, inúmeros pesquisadores procuram compreender por que e como foram construídas. Durante muito tempo, diferentes teorias tentaram explicar sua finalidade, muitas delas relacionadas a rituais, astronomia e religião.

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Estudos mais recentes, porém, trouxeram novas possibilidades. Pesquisas envolvendo hidrogeologia e tectônica indicam que parte das linhas pode estar relacionada à maneira como os antigos habitantes da região compreendiam, aproveitavam e administravam a água. Em um ambiente desértico, onde esse recurso era extremamente precioso, algumas das linhas parecem acompanhar o movimento natural da água pela superfície do terreno.

 

E a história das linhas pode ser ainda mais antiga do que imaginávamos. A cultura Paracas é considerada por alguns pesquisadores como uma das culturas que influenciaram o desenvolvimento posterior da tradição dos geoglifos. Em 2018, arqueólogos utilizando drones identificaram 25 novos geoglifos na província de Palpa, muitos deles atribuídos aos Paracas e anteriores às famosas Linhas de Nasca em aproximadamente mil anos.

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Tudo isso torna o sobrevoo ainda mais interessante. Quando estamos no alto e vemos aquelas enormes figuras desenhadas no deserto, é inevitável pensar nas pessoas que estiveram ali há milhares de anos e imaginar o significado que aquelas linhas tinham para elas. Talvez parte do encanto das Linhas de Nasca esteja justamente no fato de ainda não termos todas as respostas.

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Fontes: Museo Antonini, Nasca/Peru; Museo de Arte Precolombino, Cusco/Peru.​​​

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Aquedutos de Nasca: água no coração do deserto

Quando pensamos em Nasca, é natural que as famosas linhas e figuras desenhadas no deserto sejam a primeira coisa que venha à cabeça. Mas a região guarda outro tesouro que, para mim, merece muito ser conhecido: os aquedutos de Nasca. Eles mostram um lado menos conhecido dessa antiga civilização e revelam como os Nasca encontraram maneiras extraordinárias de sobreviver e prosperar em uma das regiões mais secas do Peru.

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Os aquedutos formam um sofisticado sistema de captação e distribuição de água, construído há muitos séculos. Por meio de galerias subterrâneas, poços, reservatórios e canais, os Nasca conseguiam retirar água do lençol freático e levá-la até os campos de cultivo. Graças a esse conhecimento, foi possível produzir alimentos e desenvolver uma sociedade próspera em meio a uma paisagem que, à primeira vista, parece quase impossível para a vida.

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Alguns desses locais são conhecidos como “olhos de água”, por causa dos pontos de acesso e dos respiradouros construídos ao longo das galerias. Alguns têm formato de espiral e permitem chegar até a água, além de facilitar a circulação de ar e a manutenção do sistema.

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Para quem está viajando pelo Peru, considero esse passeio uma experiência que vale muito a pena. É diferente das atrações mais conhecidas e ajuda a enxergar Nasca com outros olhos. Ao caminhar pelo local, fica mais fácil imaginar como uma população que viveu há milhares de anos conseguiu compreender o comportamento da água e criar uma solução tão inteligente para enfrentar o deserto.

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E talvez seja justamente isso que mais impressiona: enquanto as Linhas de Nasca despertam nossa curiosidade pelo mistério, os aquedutos nos surpreendem pelo conhecimento e pela engenhosidade de quem os construiu.

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Se você estiver montando seu roteiro por Nasca, eu recomendo incluir os aquedutos junto com o sobrevoo das Linhas de Nasca. São experiências diferentes, mas que se complementam e ajudam a conhecer melhor a história dessa fascinante civilização.

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Mais do que visitar um lugar antigo, é uma oportunidade de estar diante de uma obra que continua funcionando como testemunho da inteligência e da capacidade de adaptação dos povos que viveram no deserto peruano.

Acervo do Museo Antonini e do Museo de Arte Precolombiano

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