CULTURA
NA eSTRADA

Humauaca e Iruya Argentina

Cores e Memórias Esculpidas no Tempo
Humahuaca é um dos lugares mais emblemáticos do Noroeste Argentino e uma excelente porta de entrada para compreender a história e a cultura da Quebrada de Humahuaca.
A cidade está localizada no norte da Província de Jujuy, em um vale cercado pelas montanhas dos Andes. Sua história, porém, começa muito antes da chegada dos espanhóis: a região é habitada há milhares de anos por povos originários e, posteriormente, fez parte das rotas do Império Inca.
O Noroeste Argentino é uma região de paisagens muito diversas, formada por grandes ambientes geográficos e culturais, como a Puna, os Vales e Quebradas e o Chaco. Esses territórios fazem parte de duas grandes áreas: a Área Andina e o Grande Chaco.
Para quem viaja pela região, é importante entender que essas paisagens não são apenas cenários naturais. Cada uma delas guarda uma história, modos de vida e tradições que atravessam milhares de anos. Ao longo do tempo, porém, essas unidades geográficas e culturais foram separadas artificialmente pelas fronteiras políticas e pelos processos históricos iniciados com a chegada dos espanhóis.
A palavra “quebrada” se refere a um vale profundo, geralmente formado pela ação da água entre montanhas. Mas, no Noroeste Argentino, as quebradas representam muito mais do que uma formação geográfica: são caminhos que, há milhares de anos, conectam pessoas, culturas e territórios.
A ocupação humana dessa região remonta a mais de 10 mil anos, quando pequenos grupos de caçadores-coletores passaram a habitar esses vales. Séculos depois, as mesmas rotas foram utilizadas por caravanas que atravessavam os Andes e chegaram a integrar as redes do Império Inca, no século XV.
Com a chegada dos espanhóis, esses caminhos ganharam novas funções. As quebradas passaram a conectar importantes centros do Vice-Reino do Rio da Prata ao Vice-Reino do Peru, tornando-se rotas fundamentais para a circulação de pessoas, mercadorias e ideias.
Percorrer as Quebradas e os Vales do Noroeste é muito mais do que admirar suas montanhas e cores. É viajar por antigos caminhos de encontro, comércio, resistência e intercâmbio cultural, onde diferentes povos deixaram — e continuam deixando — suas marcas.
Como chegar?

Para quem está viajando pelo Noroeste Argentino, chegar a Humahuaca saindo de Salta de ônibus é uma opção prática e confortável.
Os ônibus intermunicipais partem do Terminal Rodoviário de Salta, localizado próximo ao Teleférico, o que facilita bastante para quem está hospedado na região central da cidade.
Na minha viagem, utilizei os serviços da Empresa Balut e tive uma experiência bastante confortável. Os ônibus são bons e há diferentes opções de horários para Humahuaca, permitindo organizar o passeio de acordo com o roteiro de cada viajante.
A viagem também faz parte da experiência: pouco a pouco, a paisagem muda, e o caminho revela as montanhas e os vales característicos do Noroeste Argentino.


Terminal Rodoviário de Humahuaca

Serrania do Hornicol
Onde a Natureza derramou
sua Paleta de Cores
Não deixe de conhecer a Serranía de Hornocal, um dos cenários mais impressionantes da Quebrada de Humahuaca. A paisagem parece uma verdadeira obra de arte da natureza. É famosa por seus 14 tons de cores, que aparecem nas diferentes camadas das montanhas, que exibem diferentes desenhos formados ao longo de milhões de anos, criando um enorme mosaico de cores. O local faz parte da região reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO desde 2003.
O mirante está a aproximadamente 4.350 metros acima do nível do mar, por isso é importante ir com calma e respeitar os limites do corpo. Eu poderia passar o dia inteiro ali, simplesmente contemplando os cerros coloridos. É daqueles lugares que fazem a gente parar, respirar fundo e perceber a grandiosidade da paisagem.
Como chegar até lá? A Serranía fica a cerca de 45 km da cidade. Uma opção econômica é negociar diretamente com os motoristas locais, nas proximidades do terminal rodoviário, e dividir o valor do transporte com outros viajantes. Além de reduzir bastante o custo do passeio, essa é uma boa maneira de conhecer outras pessoas durante a viagem e tornar o trajeto ainda mais agradável.
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A Quebrada de Humahuaca, por si só, já é um daqueles lugares que deixam a gente sem palavras. E, no meio de tantas paisagens incríveis, o Hornocal certamente merece um lugar de destaque. É um dos lugares mais lindos desta região. É impossível chegar diante daqueles cerros coloridos e não ficar encantado com a beleza e a grandiosidade da natureza.
O Refúgio dos Andes
Outro lugar incrível que vale muito a pena conhecer é Iruya, uma pequena cidade cercada pelas montanhas e que parece estar escondida no meio dos Andes.
As passagens podem ser compradas no próprio Terminal Rodoviário de Humahuaca. Fique atento aos horários, pois são poucas opções por dia — geralmente duas a três saídas diárias.

Iruya
Saindo de Humahuaca, a viagem de ônibus leva cerca de 3 horas e já faz parte da experiência. O caminho é cheio de paisagens impressionantes, com montanhas, vales e curvas que tornam o trajeto uma verdadeira aventura.
É um passeio para fazer sem pressa, aproveitando o caminho e deixando-se surpreender pela paisagem. Iruya é daqueles lugares que a gente conhece e leva na memória por muito tempo.

De acordo com o último Censo, cerca de 955 mil pessoas na Argentina se reconhecem como pertencentes a povos originários.
Na Província de Salta, são mais de 79 mil pessoas — aproximadamente 6,5% da população que se reconhece como indígena no país. É uma proporção quase três vezes maior que a média nacional, de 2,4%.
Esses números revelam mais do que estatísticas. Eles mostram um processo de auto reconhecimento e, ao mesmo tempo, de reconhecimento por parte do Estado argentino da presença, da identidade e dos direitos desses povos.
No Censo de 2010, diferentes comunidades se reconheceram como povos originários, entre elas os Chané, Wichí, Guarani, Qom (Toba), Chorote, Chulupí, Kolla Andino, Diaguita e Atacama, entre outras. São povos que estavam aqui muito antes da formação do Estado-nação argentino e que continuam fazendo parte da vida e da cultura do território.
Fonte: Museu de Antropologia de Salta.



























